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Solar de Marrocos

IPA: Monumento

NºIPA: 0507090081

Designação: Solar de Marrocos


 

Localização: Castelo Branco, Penamacor, Pedrógão de São Pedro

Acesso: Pç. 25 de Abril, n.º 16

Protecção: Inexistente

Enquadramento
Urbano, isolado, a meia encosta, constituindo quarteirão, com algumas casas particulares adossadas na fachada posterior, integrado na malha urbana e murado nas fachadas posterior e parcialmente na lateral direita, em ambas com portões altos de acesso, confinando as demais fachadas com a via pública. A fachada principal abre para pequeno largo, pavimentado a paralelepípedos e tendo zona ajardinada; no largo, surgem várias casas, de um dois pisos, algumas com os cunhais pintados a imitar pilastras.



 


Descrição
Planta rectangular irregular, composta por três volumes que se articulam a partir de dois pátios a cotas diferentes, adaptando-se ao declive do terreno, ligados por corredor; são de planta rectangular, o maior destinado à residência do proprietário, o do lado direito, constituído em volta de pequeno pátio central, formando a zona de serviços e, o terceiro, na face posterior, constituindo a zona de armazenamento, a que se adossam, no pátio principal, pombal e, no secundário, capoeiras, pocilga e fumeiro. Volumes escalonados e coberturas diferenciadas a uma, duas e quatro águas. Fachadas em alvenaria aparente, excepto as do volume principal, rebocadas e pintadas de branco. Fachada principal, virada a E., composta por dois volumes escalonados, o de maiores dimensões assimétrico, de dois pisos definidos por friso saliente, três panos separados por pilastras toscanas colossais e remates em friso, cornija e beiral duplo, que se interrompem no lado direito e alteados na zona central para dar lugar à pedra de armas, surgindo a data "1810" ou "1870"; é rasgada por vãos em arco abatido, moldurados e remates em cornija, no piso inferior, com cinco janelas de peitoril e duas portas, uma no pano central, com moldura recortada, pedra de fecho saliente, cornija contracurvada e brincos, aparecendo outra, de maiores dimensões e mais simples, no pano esquerdo; superiormente, seis janelas de sacada, com guardas em ferro forjado.
O volume de menores dimensões adossa-se ao lado direito, igualmente de dois pisos e remate em friso e beiral duplo, rasgado por vãos rectilíneos com molduras salientes, os do piso inferior constituindo duas portas e janela, a que se sobrepõem, no superior, três janelas de guilhotina, a do extremo direito desalinhada do vão do piso inferior. Fachada lateral esquerda forma um pequeno ângulo obtuso, adaptando-se ao terreno, formando dois panos, o do lado direito com dois pisos, cunhais apilastrados e remate em friso, cornija e beiral, sendo o do lado esquerdo, de um piso, rematado em beiral; são percorridos por embasamento escalonado, adaptando-se ao forte declive do terreno, em cimento encarapinhado e rasgadas por janelas rectilíneas; o do lado direito é rasgado, no piso inferior, por quatro janelas dinteladas e, no superior, por cinco janelas com moldura que se prolonga inferiormente em brincos.

O pano do lado esquerdo possui janela semelhantes às anteriores, a que se segue, na face E., o portão de acesso ao pátio secundário, protegido por portadas metálicas, flanqueado por dois pilares rematados em volutas. Fachada lateral direita rasgada por duas janelas rectilíneas e por portão de acesso ao pátio principal, protegido por portadas de ferro. Fachada posterior composta por muro alto que veda a propriedade. INTERIOR rebocado e pintado de branco, excepto a biblioteca, pintada em cor de salmão, a sala de visitas, salão nobre, cozinha e o corredor de serviço, de amarelo, sendo as instalações sanitárias percorridas por silhar de azulejo branco, com pequenos frisos verdes, tendo pavimentos em soalho e tectos de madeira.

 

O portal principal acede ao átrio, com pavimento em lajeado de granito, tecto de madeira pintado de amarelo, assente em friso e cornija, com rosetão central, acedendo a duas salas laterais, destacando-se a do lado direito, com cobertura em apainelados de madeira, formando uma falsa gamela, tendo, ao centro, pintura em "trompe l'oeil", com elementos vegetalistas e pássaros; através de arco abatido com pedra de fecho saliente e assente em pilastras toscanas, acede-se a pequeno patamar, de onde evolui a escadaria interna que liga ao piso superior, de dois braços paralelos com guarda plena de granito, cujo início é marcado por coluna facetada, tendo, superiormente, no patamar, guarda balaustrada; acede à porta do salão nobre, em frente à qual surge uma janela termal com elementos vegetalistas pintados, e, lateralmente, a duas portas que ligam a corredores centrais, permitindo o acesso às várias dependências, as do volume principal intercomunicantes. O salão nobre possui tecto de madeira com rosetão no centro, o qual é intercomunicante com o denominado Quarto do Moço, com cobertura de madeira em gamela, com moldura recortada dourada e reserva central; este, por seu turno, comunica com uma pequena sala de visitas, dividida em dois tramos, sustentada lateralmente por pilares e modilhões pintados de branco com filetes dourados, onde se destaca a lareira com guarda de ferro forjado, decorada com elementos fitomórficos e cornucópias.

O salão nobre liga, ainda, à casa de jantar, com tecto de madeira em espinha, com reserva central tendo rosetão dourado e vários elementos fitomórficos pintados, surgindo, nos ângulos, pequenos rosetões e friso com pinturas vegetalistas. Biblioteca pintada de rosa e tecto de madeira pintada de branco, possuindo um amplo armário.O volume mais antigo estrutura-se em volta de pequeno pátio central, protegido por telheiro assente em pilares, com pia de despejo de águas num dos ângulos; no interior deste surgem as dependências dos serviçais, algumas com conversadeiras de granito nas janelas e armários embutidos nas paredes, a cozinha, que mantém a estrutura da lareira primitiva assente em pilar de granito com as arestas biseladas, tornando o fuste facetado, e os armários pintados de vermelho, o primitivo oratório, que mantém um nicho e uma tulha

Utilização Inicial: Residencial: solar 
Utilização Actual: Devoluto

Propriedade: Pública: Municipal
Afectação: Sem afectação

Época de Construção: Séc. 18 / 19 / 20
Arquitecto / Construtor / Autor: Desconhecido.

Cronologia
1733 - construção de um dos volumes da casa; 18(?) - edificação do núcleo principal, provavelmente pelo morgado de Pedrógão, Luís Pinto, que, ao falecer sem descendência, o legou ao morgado de Idanha, António Leitão, que, por seu turno, o legou a António Marrocos; séc. 20, década de 40 / 50 - construção de alguns quartos e decoração de outros pré-existentes; 1951 - arranjo de um dos pátios, com a execução de diversos galinheiros, fumeiro, alambique; 1988 - encontrava-se registado no nome de Frederico Manzarra Marrocos; 1998 - por morte do anterior, passa a Maria da Graça Sampaio Marrocos Vital; 2003 - aquisição do imóvel pela Câmara Municipal de Penamacor, decidindo-se a sua reutilização como hospital.

Tipologia
Arquitectura civil residencial, tardo-barroca e novecentista. Casa rural constituída por três volumes diferenciados, articulados por dois pátios nos extremos, um deles constituindo dependência agrícola e os outros dois com a componente residencial, o menor organizado em torno de pequeno pátio, destinado aos serviçais. O volume principal, mais erudito, é de dois pisos, divididos por friso e a fachada principal ostenta pilastras a dividir os vários panos e nos cunhais da ordem colossal, sendo o remate em friso e cornija, que se alteia na zona central para dar lugar à pedra de armas. Os vãos da fachada principal são em arco abatido e os das restantes são rectilíneos, organizando-se de forma simétrica. O interior organiza-se a partir de um átrio de entrada, que liga a duas salas e, através de arco de volta perfeita, à escadaria que liga ao salão nobre, intercomunicante com as demais dependências, com coberturas em tectos planos ou de masseira, com decoração novecentista; do patamar do salão nobre evolui corredor central que liga às dependências e, que no lado esquerdo, acede ao volume mais pequeno, que se organiza em volta de um pequeno pátio central, sendo também de dois pisos, com vãos rectilíneos e janelas de guilhotina, tendo no interior, pequenas salas ligadas por corredor central, com conversadeiras nas janelas e tectos planos de madeira. Nos pátios, dispõem-se várias dependências e armazéns agrícolas, relacionados com a principal actividade da casa, como tulhas, celeiros, alambiques, queijeira, adega,
pocilga, capoeiras, pombal, fumeiro e arrecadação da lenha, a maior parte efectuadas
ou profundamente remodeladas no séc. 20.

Características Particulares
Casa rural constituída por dois volumes residenciais, o mais pequeno, mais antigo e datado, terá constituído o primitivo núcleo residencial, mantendo, ainda, o nicho do antigo oratório. No interior, encontram-se os aposentos dos serviçais, a cozinha e a despensa, mantendo os móveis novecentistas e a estrutura, embora modificada, da primitiva lareira, assente em pilar com as arestas biseladas, tornando-o facetado. O edifício maior, resultante do projecto de remodelação do séc. 19 e seguindo ainda uma linguagem barroquizante, pressuponha o derrube do anterior, como se depreende da fachada principal, que se encontra incompleta no lado direito, o que quebra a simetria inicialmente projectada. As fachadas são sóbrias, mantendo nos vãos as rótulas originais, ainda em relativo bom estado.

 

No interior, destaca-se a decoração das várias salas nobres, com pintura decorativa de motivos fitomórficos novecentista, nomeadamente a Sala de Visitas no piso inferior, e a Sala no piso superior com lareira ostentando guarda-fogo em ferro forjado Arte Nova. Destaca-se, ainda, a existência de capoeiras e pocilga, com os respectivos animais identificados por mosaico efectuado em meados do séc. 20.

Dados Técnicos: Paredes autoportantes.

 

 

Materiais
Estrutura em cantaria de granito, com paredes rebocadas e janelas com molduras em cantaria do mesmo material; cobertura exterior em telha e interior de madeira e estuque; portas e janelas de madeira pintada; pavimentos de madeira e lajes de betão armado nas instalações sanitárias; azulejos a revestir as paredes dos sanitários e zonas dos lavatórios nos quartos; portões e gradeamentos em ferro forjado.

Documentação Gráfica: CMP
Documentação Fotográfica: DGEMN: DSID; CMP
Documentação Administrativa: CMP; Conservatória Registo Predial Penamacor

Intervenção Realizada: Proprietário: 2003 - limpeza dos pátios.


Autor e Data: Vera Venâncio 2003





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